Cinco motivos para ler: Jane Austen.

Cinco motivos para ler: Jane Austen.

Cinco motivos para ler: Jane Austen.

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Um fascínio que completa 200 anos: Jane Austen

Pelo menos uma vez na vida você já deve ter ouvido falar em “Orgulho e Preconceito”, “Persuasão”, “Razão e Sensibilidade”, entre outros clássicos. Jane Austen é uma das autoras mais geniais que já existiram e vem inspirando amores há 200 anos. Se você nunca leu nenhum livro de Austen, prepare-se para quebrar paradigmas e romper todas as barreiras do preconceito literário. A partir de agora você terá no mínimo cinco motivos para conhecer a obra de Jane Austen.

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Jennifer Ehle e Colin Firth como Elizabeth Bennet e Mr. Darcy na adaptação mais famosa do livro “Orgulho e Preconceito”. A adaptação é uma série que foi produzida pela BBC em 1995.

Austen nasceu 16 de dezembro de 1775, em uma sociedade inglesa totalmente machista, e para se tornar escritora, teve que provar de diversas experiências e sacrifícios. É de suma importância ressaltar que Austen usou toda a atmosfera a sua volta para retratar a vida, principalmente da mulher inglesa, a sociedade da época e todo todo um contexto religioso, político e social em seus romances.Foi em 1795,  que após ter  tido sua primeira paixão,  Jane começou a escrever “Primeiras Impressões”, que foi rejeitado assim que ficou pronto. Determinada, revisou o livro e mudou o título para “Orgulho e Preconceito”, publicando com codinome de “A Lady”. Jane Austen desafiou a sociedade da época em um épico romance que contava a história de amor de Elizabeth Bennet e Mr. Darcy, mais precisamente , contava os desafios de um amor que atravessa os séculos.  Elizabeth Bennet, uma mulher extremamente inteligente e culta, pertencente a uma família sem muitas posses, numerosa e sem um herdeiro varão.  Elizabeth muitas vezes se provou mais sábia que suas irmãs, sua mãe, e até mesmo seu pai, por ser desinteressada materialmente e principalmente por não estar desesperada por casar-se.  Fitzwilliam Darcy, nosso famoso Mr. Darcy, um homem rico, de família nobre, orgulhoso, inteligente e…Apaixonante. Parece até clichê, não é mesmo? O homem rico, a mulher pobre, que se conheceram, se apaixonaram e viveram felizes para sempre. É nessa hora que todos se perguntam: Onde se encaixaria o  orgulho e o preconceito? E é aí, nesse exato momento, que Jane Austen excede as expectativas. Com  bom humor e uma ironia agradável, muitas vezes é disfarçada, de  forma perspicaz, a autora discorre em todo o livro. Lembram-se da história de amor? Essa mesma história fica evidente, mas não menos importante do que os retratos da época.

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Matthew MacFadyen e Keira Knightley na versão cinematográfica de “Orgulho e Preconceito”, de 2005. Essa adaptação é diferente das demais e é mais conhecida fora da Europa e do Reino Unido.

A mulher do século XIX precisava ser totalmente prendada para ser capaz de fazer um bom casamento – que como havia ressaltado antes, era a grande preocupação, não só da Sra. Bennet, mas de todas as mães desse tempo. Era preciso ler muito, costurar, pintar, falar fluentemente outras línguas (dando destaque ao latim e ao francês, que eram de grande predominância na época), dançar, ser agradável, ser bonita…Acredite, essa lista é grande. Para complicar, o pai da moçoila tinha que apresentar um poupudo dote, em dinheiro, propriedades ou títulos, para atrair um bom partido que se comprometesse a desposar sua filha. O dote era um investimento para algumas famílias, uma certeza de  aliança, mas para muitos era um prejuízo, porém sem um bom dote, uma dama não tinha muitas chances de realizar um bom casamento. Uma mulher solteira, não tinha valor nessa sociedade, era um estorvo.  Enfim, tais pressões sofridas pelas mulheres, foi perfeitamente retratado por Austen.  Para facilitar o entendimento, precisamos dizer só mais uma única coisa: se essa dama não tivesse filhos homens, quando seu marido morresse – quase sempre eles eram muito mais velhos que suas esposas –,  ela perderia seus bens e sua casa, que seria herdada por um  parente homem mais próximo da família de seu esposo. Não só em Orgulho e Preconceito é retratado isso, como também em Razão e Sensibilidade, que aliás é o precursor de todos os infortúnios das irmãs Dashwood.

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As irmãs Dashwood: (esq. para dir.) Emma Thompson, como Elinor; Emilie François, como a irmã mais nova, Margaret; Kate Winslet como Marianne. O filme, de 1995, ganhou diversos prêmios importantes do cinema, inclusive o Oscar de melhor roteiro adaptado. O filme ainda conta com Alan Rickman, como o icônico Coronel Brandon, e Hugh Grant, como Edward Ferrars.

E o homem nessa sociedade? Ah, ele só precisava casar-se. Não se pode afirmar que esse foi o grande motivo que levou Jane Austen a não se casar, afinal, ela foi pedida em casamento algumas vezes e também teve romances conhecidos, como é o caso de sua paixão por Mr. Tom Lefroy, mas tal afirmação é verídica em todos os aspectos que já foram citados, levaram-na a descrever em seus livros situações tão reais quanto as que ela vivenciava.

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Mr. Tom Lefroy. A primeira paixão de Jane Austen e a inspiração do personagem Mr. Darcy. O romance de Lefroy com Austen deu origem a um filme. “Razão e Inocência” (ou “Becoming Jane”) é estrelado por Anne Hathaway e James McAvoy.

Orgulho e Preconceito fez sucesso na época, mas não a deixou rica e é preciso enfatizar que Jane fez muito mais sucesso morta do que viva. Essa é uma triste realidade. Seus romances sucessores também arremataram grandes fãs, quando publicados, principalmente entre as mulheres. Aliás, não só quando lançado, até hoje esse sucesso se perpetua. Acredita-se que meninas, de diversas partes do mundo, conhecem Jane Austen a partir dos doze anos. Uma leitura leve,  mesmo sendo ácida em seus livros,  Austen usou de muito bom humor para descrever tanto as coisas ruins quantos as boas da época. Os costumes, as roupas, a educação, os bailes, as caminhadas, os grandes salões, todos esses estão perfeitamente vivos em suas páginas, ainda hoje, duzentos anos depois.

Outro motivo para conhecer a obra de Austen é o fascínio exercido por seus personagens, com destaque para Mr. Darcy, que arrebata fãs há duzentos anos, mesmo nos tempos atuais onde tantos consideram a gentileza e o cavalheirismo fora de moda, mesmo depois de luta a luta feminina por direitos iguais para as mulheres, Mr. Darcy permanece intocável no sonho e principalmente no imaginário  feminino.

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Matthew MacFadyen ou Colin Firth: qual é o seu preferido?

Todos os personagens das tramas escritas por Jane Austen são diferentes mas tem traços marcantes no caráter, todos os seus questionamentos, como em Persuasão, onde traça uma forte opinião sobre a futilidade e superficialidade da sociedade da época, a valorização da beleza, da posição social em detrimento ao amor, respeito e caráter. Jane é incisiva nos questionamentos propostos por suas personagens que aparentemente frágeis, demonstram muita força e determinação para vencer as desgraças, desilusões e obstáculos. Em contrapartida, os personagens masculinos, apesar de toda a força, o orgulho e postura de lords, também demonstram um lado humano, onde a ternura e paixão existem na mesma intensidade que a teimosia e o cumprimento dos deveres e obrigações impostas na sociedade da época. Embora o casamento tivesse um papel de contrato entre as famílias, ainda existia espaço para o amor, e a luta das pessoas que se amam para ficarem juntas é retratada em suas obras com toda maestria e inspiração.

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Duas famosas versões de Persuasão (esq. para a dir.):  Esta primeira é a versão de 1995, estrelada por Ciarán Hinds e Amanda Root. A versão de 2007, com os atores Rupert Penry-Jones e Sally Hawkins.

Se todos esses motivos não forem suficientes, temos ainda que ressaltar que Austen faz várias citações a outros autores, o que agrega ao leitor mais conhecimento da literatura da época e ainda faz um mergulho histórico com descrições das cidades onde se ambientam suas obras. Uma descrição detalhada e bucólica, até mesmo dos locais urbanos com o burburinho, as carruagens e paisagens, que fazem o leitor entrar na máquina do tempo e desembarcar há 200 anos com toda riqueza de detalhes.

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Emma é um dos livros que mais explora o universo luxuoso da sociedade de Jane Austen. O livro ganhou duas famosas adaptações: A adaptação cinematográfica, de 1996, com Gwyneth Paltrow e a série, com Romola Garai, de 2009.

Mesmo com todos esses motivos, ainda assim você estiver em dúvida, salientamos que na obra de Jane Austen não existem finais perfeitos, e sim finais possíveis. Toda história tem uma moral e uma razão de ser. E com um detalhe que não poderíamos deixar de citar que é o emprego adequado do idioma, da forma clássica, que com uma tradução adequada nos permite aprender muito do vocabulário e enriquecê-lo ainda mais. Por todos os motivos e razões enumeradas, recomendamos que os leitores conheçam a obra desta escritora fantástica, que com uma fórmula simples, vem encantando gerações. Suas obras já foram adaptadas para o cinema, teatro em peças e musicais, séries de Tv e a cada adaptação, o sucesso se repete. Vale a pena conhecer a obra de Jane Austen!

Nas listas de livros de Jane Austen, temos:

Orgulho e Preconceito – 1813
Razão e Sensibilidade – 1811
Mansfield Park – 1814
Emma – 1815
Persuasão – 1818
Abadia de Northanger Abbey – 1818

Esses dois últimos são obras póstumas, pois Austen morreu em 1817, quando só tinha 41 anos.

 

Por: ~A e ~M.

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