Crítica do Filme “A Menina Que Roubava Livros”: pela equipe Leitora da Depressão

Crítica do Filme “A Menina Que Roubava Livros”: pela equipe Leitora da Depressão

Crítica do Filme “A Menina Que Roubava Livros”: pela equipe Leitora da Depressão

menina_livros_morte

Filme “A Menina Que Roubava Livros”

É uma adaptação delicada, que apesar de levar o público às lágrimas em diversos momentos, conseguiu arrancar risos. O roteiro foi fiel na medida do possível, apesar de algumas omissões de personagens, mudanças na cronologia dos fatos, enfim, nada que tenha comprometido a história original do livro. Não vou entrar no mérito, com a velha história que livro é sempre melhor que filme, prefiro dizer mais detalhado (embora neste caso, o livro seja infinitamente melhor). Seria impossível um filme retratar um livro extenso como o de Markus Zusak em duas horas. O filme é uma visão diferente de todos os filmes de guerra que eu já assisti (assim como o livro, por diversas particularidades e pela narrativa do ponto de vista da Morte, em primeiro plano).
Apesar da ansiedade e medo, como qualquer leitor deve ter sentido, procurei me despir das prevenções, das diferenças físicas entre o elenco escolhido e a descrição dos personagens no livro ( uma Liesel tão saudável, bonita e de olhos azuis, diferente da Liesel do livro, sempre faminta, esquálida e desnutrida, de olhos castanhos e os ossos à mostra. Da Rosa magra sem o corpo de guarda- roupas e do Rudy que não cresce), a interpretação dos atores superou as minhas expectativas. O filme teve a direção de Brian Percival (da série Downton Abbey).

TBF-2

   Liesel Meminger é interpretada pela atriz franco- canadense Sophie Nélisse ( que atuou como veterana e me emocionou muito), o ator Geoffrey Rush (indicado ao Oscar por ‘O discurso do Rei’) e a atriz Emily Watson (de Anna Karenina), que viveram os pais adotivos de Liesel, o casal Hubermann, tiveram uma química importante. Outra atuação é a do ator Ben Schnetzer, como Max Vandenburg, dando vida ao Max da nossa imaginação. Também amei o pequeno ator Nico Lierch, como Rudy Schneider, cuja participação deu o tom da inocência, na amizade de Liesel e Rudy, um oásis no meio de tanta desgraça, dessa pequena dupla e de Geoffrey Rush, surgiram as risadas sinceras do público, com os diálogos fiéis do livro. A minha surpresa foi a morte, ou o Morte. Na minha imaginação, a morte era feminina, em muitos aspectos, mas no filme tem um vozeirão de locutor de rádio, apesar da surpresa, até gostei da ideia do senhor Morte, com uma voz marcante na narrativa da história…

0001trgyfr

Críticas sobre a estreia:

Alguns personagens foram assassinados pelo diretor, como os filhos de Hans e Rosa Hubbermann, bem como a vizinha que cospia todos os dias no portão da casa e obrigava Liesel a limpar. Esta mesma vizinha, Frau Holtzapfel, foi muito citada no final do livro, quando entrou em depressão pela morte do filho na guerra e Liesel lia para ela todos os dias, mas no filme simplesmente não existiu. Para quem leu o livro, como eu, sentiu falta dos momentos marcantes, como a despedida de Liesel com a mãe, a sua história como filha de pais comunistas, a sua chegada traumática no lar adotivo, com uma mãe severa e desbocada, que só a adotou pelo dinheiro da pensão do governo e um pai inesperadamente carinhoso. Das noites de pesadelos horríveis, em que Liesel urinava na cama e seu pai lia para ela dormir. Dos muitos roubos, de livros no princípio e depois de comida, pois a fome era devastadora. Achei o personagem da mulher do prefeito bem diferente do livro, que era enigmática e monossilábica, mas que deixava os livros ao alcance para que Liesel pudesse levar e achasse que estava roubando. O prefeito que no livro era apenas uma figura e não participava dos momentos em que Liesel ia à biblioteca visitar os livros. O amigo que salvou Max e principalmente a história deste, que aliás não ficou o tempo inteiro no porão, ele fazia flexões e lutava box imaginando nocautear Hitler. Max no livro é um personagem muito forte, a Morte o cita como um sobrevivente e lutador, assim como Liesel. Senti falta das cenas em que Liesel e Rudy levavam pão escondido na estrada para os prisioneiros judeus, fato este que levou o seu pai a ser convocado para a guerra como represália. O diretor deixou muitas brechas para quem não leu o livro ficar confuso e para quem leu ficar com uma sensação de estar faltando um pedaço. Na minha opinião faltou uma melhor idealização da morte, até gostei da ideia de ser uma narrativa masculina, porém a morte é a anfitriã do livro, em todos os momentos ela está presente e no filme a morte foi apenas uma voz  coadjuvante, poderia ser um personagem e ter uma interpretação rica. Alguns críticos estão detonando o filme e não leram o livro, pois não entenderam várias passagens, que os leitores entendem bem, por motivos óbvios. Eu gostei do filme, teve um elenco de peso, mas a direção e roteiro deixaram a desejar, poderiam ter caprichado mais com certeza.
A divulgação no cinema foi péssima no Rio de Janeiro( no Espaço Itaú de Cinema foi anunciado no site, mas não exibiram e no Cinemark exibiram, porém não havia anúncio), não sabemos se foi culpa do estúdio Fox Film que não investiu, ou se a divulgação não foi bem feita. Fato é que outras adaptações foram infinitamente melhor divulgadas, não encontramos sequer um pôster do lado externo, apenas na porta da sala de exibição e pareceu tudo muito às pressas, apesar de ter estreado há 2 meses em outros países.
Outra indignação foi saber que um filme com uma história incrível só teve uma indicação ao Oscar, por trilha sonora original. Rush merecia uma indicação com louvor, pois a sua atuação como Hans foi impecável e emocionante.
Flagrei muitos espectadores chorando (eu mesma chorei várias vezes), principalmente os que não leram o livro.
Para estes, um conselho: comprem lenços quando forem ler o livro, a história é maravilhosa e vocês chorarão muito mais!
Recomendo o filme, não tenham receio de assistir. E por favor, não deixem de ler o livro.

Confira a resenha do livro no nosso site:

http://leitoresdepressivos.com/2013/11/resenha-do-livro-a-menina-que-roubava-livros-de-markus-zusak/

~M

Deixe o seu cometário