Resenha: Livro ‘O Cavaleiro Dos Sete Reinos’- Histórias do Mundo de Gelo e Fogo- de George R.R. Martin!

Resenha: Livro ‘O Cavaleiro Dos Sete Reinos’- Histórias do Mundo de Gelo e Fogo- de George R.R. Martin!

Resenha: Livro ‘O Cavaleiro Dos Sete Reinos’- Histórias do Mundo de Gelo e Fogo- de George R.R. Martin!

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O livro foi lançado recentemente pela Editora LeYa e aguardado pelos fãs com muita ansiedade. É certo que os leitores que já acompanham ‘As Crônicas de Gelo e Fogo’, do escritor norte- americano George R. R. Martin, esperavam ansiosamente pelo lançamento deste livro no Brasil. Muitos não acreditavam que esses contos chegariam ao nosso país por muitos fatores, principalmente pelo fato de tudo relacionado a Martin ter demorado bastante tempo para chegar ao Brasil. Pois bem, finalmente os contos de Dunk e Egg foram lançados.
O livro traz três contos inéditos que narram à história da amizade de um jovem cavaleiro, não muito inteligente, bastante atrapalhado e alto, e de seu fiel escudeiro, um garoto que é muito mais do que aparenta ser. A trama é ambientada noventa anos antes de todos os acontecimentos narrados em A Guerra dos Tronos.
Se você já leu, ou pelo menos assistiu a série Game of Thrones, e prestou atenção aos detalhes, deve ter notado que esses personagens já foram citados em ambos. Em Festim dos Corvos, Meistre Aemon comenta com Sam sobre Dunk e Egg, e, na série, a Velha Ama de Leite pergunta a Bran se ele deseja ouvir as histórias do cavaleiro e de seu escudeiro.
O começo do livro trás uma pequena introdução narrando a história de Westeros (continente onde se passa estes acontecimentos), que conta desde os Filhos da Floresta, primeiro habitantes de Westeros, até Daeron II Targaryen, rei dos Sete Reinos durante o período em que este livro é narrado. Esta introdução destina-se principalmente a quem ainda não leu As Crônicas de Gelo e Fogo.

Os três contos são: O Cavaleiro Andante, A Espada Juramentada e O Cavaleiro Misterioso. No primeiro deles, Duncan, o Alto – ou simplesmente Dunk – é um escudeiro que acabara de se tornar cavaleiro andante e resolve ir até um torneio para participar de algumas competições. Na estrada, conhece Egg, um menino com uma estranha cabeça raspada, que mais parece um ovo, e uma inteligência fora do comum. Depois de muito insistir, Dunk aceita Egg como escudeiro, porém eles envolvem-se em uma terrível confusão com um príncipe da Casa Targaryen, membro da dinastia que comandava Westeros e que, na época, viviam o seu auge.
O segundo conto se passa quase um dois anos depois dos fatos ocorridos em O Cavaleiro Andante. Nele, Dunk torna-se uma espada juramentada de um pequeno senhor dono de poucas terras. Estranhamente, toda água do rio desaparece. Na tentativa de
recuperá-la, mais perigos passam a cercá-los, e a honra do cavaleiro é posta a prova.
O Cavaleiro Misterioso mostra os dois amigos em outro torneio onde nada é o que parece ser, e uma misteriosa trama está sendo desenvolvida numa tentativa de “tomar” o Trono de Ferro.
Foi muito interessante o tradutor manter o nome original do personagem Egg (que em português significa “ovo”), apesar disso atrapalhar um pouco os trocadilhos feitos com o nome do garoto. Algo  incrivelmente bonito é a capa do livro, criada pelo desenhista Marc Simonetti, o mesmo que desenhou as capas dos cinco livros da série literária. Costumo não gostar de ver os personagens principais na capa, pois isso acaba tirando um pouco da experiência de você mesmo poder imaginá-los, porém a riqueza de detalhes e a beleza desse trabalho superam essa necessidade.

 

 

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Capa nacional do livro

Acredite, o jogo dos tronos vem sendo jogado há muito tempo atrás e os dois também estão no centro dessa disputa. Quando já se tem lido ‘As Crônicas de Gelo e Fogo’, a sensação que temos ao ler esse livro é de nostalgia, pois, apesar de se passar noventa anos atrás, o livro é carregado de elementos comuns ao leitor habituado a essa estória sobre os Sete Reinos, como o fato de os Frey serem menosprezados por Casas maiores. Outro fato interessante é a participação ou menção de personagens que ainda estão vivos em ‘A Guerra dos Tronos’, como o Aemon Targaryen, aquele meistre que vive na Muralha. Tem outro personagem bastante importante no terceiro livro da série que aparece neste como uma criança bem pequena. Não irei dizer de quem se trata, mas espero que o leitor consiga identificá-lo. Fica a dica.
O melhor deste novo livro é a participação da Casa Targaryen. Em ‘A Guerra dos Tronos’, os únicos membros sobreviventes desta família eram Viserys e sua irmã mais nova, Daenerys (sem contar o meistre Aemon). O livro mostra a imponência dessa Casa e a sua obsessão por dragões. Por falar em dragões, eles infelizmente não aparecem, pois já estavam extintos há muitos anos, porém eles são um dos assuntos principais do livro. Um dos trechos de um dos contos fala sobre o inseto, que é algo comum e super natural entre os Targaryen. Bem interessante o autor falar sobre isso neste livro. Crucial para compreender melhor esta família nada comum.
A inocência dos personagens é muito interessante. Dunk é simplesmente um cara incrivelmente alto, jovem e calmo que sempre sonhou em ser cavaleiro e que não deseja o mal de ninguém. Ele e Egg são só grandes amigos que andam por aí sem grandes preocupações a procura de aventura. Mas inegavelmente isto é Westeros e este não é um lugar seguro de se viver. Quando começamos a pensar “nossa, que personagem legal e honrado” e a nos apegar a ele, adivinhe só o que acontece?
O livro deixa aquele gostinho de “quero mais” em qualquer um e espero de verdade que o Martin escreva mais coisas sobre esses personagens. As quatrocentas e poucas páginas desse livro não são suficientes. Lê-lo me fez pensar em como seria maravilhoso de o autor lançasse uma coletânea com todas as estórias contadas pela Velha Ama. Contos detalhados sobre ‘Brandon O Construtor’ ou ‘O Cozinheiro Ratazana’, por exemplo. Não custa nada sonhar, já que está demorando até para ‘Os Ventos do Inverno’ sair.

Recomendo.

Por Keila Lima

Editado por M

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