Resenha do Livro “O Alienista” de Machado de Assis

Resenha do Livro “O Alienista” de Machado de Assis

Resenha do Livro “O Alienista” de Machado de Assis

2687318468_5b8b8a079d_b

“Afinal de contas, o que é ser louco?

Machado de Assis sempre me surpreende. Pensava estar casada eternamente com Dom Casmurro. Aquela sensação ao reler o livro e pensar se Capitu era uma mulher promíscua e cruel ou se era vítima dos delírios insanos de Bentinho. Foi quando comecei um relacionamento sério com o Dr. Simão Bacamarte, de ‘O Alienista’. O livro narra a história de um médico renomado no exterior, que na Vila de Itaguaí, interior do Rio de Janeiro, resolve intensificar suas pesquisas no campo da psiquiatria, campo da medicina pouco desbravado. Nesse contexto, desejando criar raízes, decide se casar com D. Evarista, uma viúva desprovida de atrativos físicos, porém saudável, que aos olhos do Dr. Bacamarte, seria capaz de lhe dar filhos igualmente saudáveis e capazes de herdar a sua inteligência.
Com todo o seu conhecimento e influência na Corte, o psiquiatra inicia as suas pesquisas, das inúmeras doenças mentais, comportamento, sinais e sintomas. E do povo da região, extremamente pitoresco. Para isso, planeja a construção de uma casa de repouso, algo inédito nas cercanias.

O ALIENISTA - VERSO

Assim começa a construção da Casa Verde, uma espécie de hospício local, num casarão suntuoso, onde eram recolhidos os loucos de toda espécie, que antes eram encarcerados em suas casas sem nenhum tratamento, em regime de prisão domiciliar perpétua. O Dr. Bacamarte inicia as internações, para as suas pesquisas, embora alguns moradores se mostrem resistentes. Com o tempo o médico leva uma vida abastada, fica rico, porém não consegue ter filhos. No contato com o povo local começa a observar os costumes de cada pessoa e pouco a pouco interna os moradores da cidade, pessoas completamente lúcidas que são recolhidas à força para o hospício da Casa Verde, sem nenhuma justificativa plausível, todos que passaram a contestar o tratamento utilizado pelo médico e as internações arbitrárias, são internados, inclusive autoridades, políticos e a própria esposa. Simão Bacamarte, é um homem frio, que em nome da ciência, comete todo tipo de desmando, crendo que qualquer atitude de uma pessoa, que aos olhos leigos seria normal, para o médico trata-se de um tipo de doença mental ou psicose. O final é surpreendente e nos faz rever conceitos, afinal, quem é louco de fato e quem é normal? Machado nos faz contestar, desconfiar, mudar de opinião, enfim é mais uma viagem histórica no cenário do século XIX, com muito sarcasmo e ironia, o português impecável de sempre. Enfim, quem não leu, leia, pois vale a pena! Amei.”

Deixe o seu cometário