Livro: ‘A Deusa Cega’ de Anne Holt, conheça esse incrível romance policial!

Livro: ‘A Deusa Cega’ de Anne Holt, conheça esse incrível romance policial!

Livro: ‘A Deusa Cega’ de Anne Holt, conheça esse incrível romance policial!

Sabe aquele livro que passa pela sua mão umas quinhentas vezes, você ignora e quando começa a ler fica completamente surpreso?
Pois é, isso aconteceu quando comecei a ler A Deusa Cega. Um romance policial muito bem construído, detalhado e com desfechos inusitados. O ponto de partida é o assassinato de um traficante, cujo corpo é encontrado acidentalmente por uma bem sucedida advogada civilista. Karen Borg trabalhava para as maiores empresas de Oslo e tinha um excelente padrão de vida, até que este infeliz incidente lhe coloca como centro de uma trama muito bem engendrada, que envolve o tráfico de drogas e influência, dentro da cúpula da polícia e justiça. Na investigação, Karen reencontra um velho amigo de faculdade, chamado Hakon, que é assistente da promotoria. Um jovem conturbado, que nunca foi bom aluno de direito, se contentando com um emprego na polícia (Na Noruega, a promotoria e polícia são um único órgão). A investigadora Hanne (Uma das personagens centrais), uma funcionária exemplar da polícia, que nunca teve o seu nome envolvido em nenhum episódio escuso, assume a investigação e ao lado de Hakon, desvenda essa colcha de retalhos, onde nada parece ser o que realmente é. Nessa investigação, a princípio desastrosa, a polícia consegue chegar a um suspeito, que se recusa a falar ou depor sobre o caso, mas declara que só falará se Karen Borg for sua advogada de defesa. Ele a escolhe por não confiar em ninguém e presume que se ela encontrou o corpo, com certeza seria uma profissional honesta. O improvável acontece, pois Karen não é criminalista e mesmo assim aceita ser defensora do suspeito, pressionada pela polícia que quer uma confissão, aceita o encargo e vai até a delegacia falar com o suspeito. Nesse momento, a trama toma um contorno incrível, pois mais dois outros homens são assassinados misteriosamente, um deles é um advogado de má fama, mesmo não tendo o mesmo modus operandi, o faro de Hanne indica que são crimes correlatos. Hakon reluta, mas crê nos instintos da colega, que aos poucos é digna de total confiança. A história se torna um imenso mosaico que aos poucos vai sendo montado com muita inteligência. Karen desafia, mesmo sem querer, o alto escalão da justiça, da polícia e outros setores. Enquanto a investigação prossegue, sendo várias vezes sabotada, a amizade entre Hakon e Hane, que era improvável, se fortalece, enquanto um amor antigo entre Karen e Hakon aflora. A amizade tinha lá no fundo, um amor que foi guardado e no meio de uma trama diabólica, esse romance acontece e é uma surpresa, pois foi bem delicado. Ainda durante as investigações, ocorrem várias sabotagens e atentados contra a equipe e Karen se torna um perigo para a máfia do tráfico, pois eles não sabem ao certo o que o seu ‘cliente’ lhe contou sobre o sistema e os envolvidos. karen tinha que ser silenciada. Um personagem que destaco é o jornalista Fredrick Myhreng, aquele tipo de repórter policial chato e curioso, na maioria das vezes inconveniente, mas que no final consegue um grande furo jornalístico e mesmo com grande interesse e nenhuma boa vontade, acaba ajudando a fechar o cerco da investigação final. A narrativa não é pesada, nem mesmo quando narra os crimes e como foram cometidos, mas tem aquela atmosfera densa de suspense, fazendo o leitor entrar na penumbra dos acontecimentos.

Confira a sinopse e a capa:

 

anne1

“O corpo desfigurado de um traficante de drogas. Um homem coberto de sangue vagando pelas ruas da capital da Noruega. E um advogado criminal de fama obscura assassinado com um tiro. Três eventos aparentemente isolados instigam o faro apurado de uma investigadora sagaz e irônica, que junto com seu colega mergulha em um caso com poucas pistas e muitas perguntas sem respostas. Em meio a boatos envolvendo advogados e o tráfico de drogas, mensagens codificadas e uma enorme rede de corrupção que pode chegar aos altos escalões do governo, a autora Anne Holt descreve uma teia de crimes e batalhas políticas na qual somente a deusa da Justiça pode se dar ao luxo de ter os olhos vendados.”

O livro é muito bem escrito, leitura simples, tradução bem feita. A capa é singela e tem tudo a ver com o enredo, mas vocês só saberão do meio em diante e o título tem tudo a ver com a justiça. A Deusa Cega faz referência a Deusa Têmis ( que é a guardiã dos juramentos dos homens e da lei), a estátua de mulher com os olhos vendados, a espada e balança nas mãos. Para quem trabalha na área, como operador do direito, policial, na justiça ou áreas correlatas, é um excelente meio de conhecer como funciona o sistema judicial na Noruega, que é muito diferente do Brasil e outros países.  A autora deixa claro as deficiências do sistema com muita veracidade e isso desconstrói a ideia de que no primeiro mundo tudo acontece às mil maravilhas. Muito pelo contrário, muitos casos sequer têm solução, por falta de pessoal para investigar, por perda de prazos, insuficiência de provas, pela fragilidade e corrupção do sistema. Tudo isso é relatado com muita propriedade pela autora. Não posso contar o final, porque não divulgo spoiler, mas garanto que é surpreendente, eu não imaginava, realmente fiquei chocada. Quem eu pensei que seria o grande vilão, o chefão do tráfico na Noruega, o Capo da máfia, não era, simplesmente errei. A autora me pegou e com certeza vocês também irão se surpreender. O livro foi lançado no Brasil, pela Editora Fundamento, que também lançou ‘1222’, fazendo um excelente trabalho, tem 342 páginas, mas não se assuste, a leitura é tão boa que passará voando. Aliás, fiquei economizando as últimas páginas para não acabar rápido, mas não teve jeito, a curiosidade foi maior. Afinal quem é a grande mente por trás do sistema? Leiam e descobrirão!
Recomendo para todos os que são fãs de romances policiais e para quem nunca leu esse estilo literário, é um excelente livro para começar, a obra faz jus à autora.

Sobre a autora:

 

anne-holt-av-jo-michael-06-LST081034

A escritora Anne Holt

Anne Holt é Norueguesa, de Larvik, tem 55 anos, é além de escritora e advogada, trabalhou como jornalista, apresentadora e âncora de TV. Trabalhou para o Departamento de Polícia de Oslo, antes de fundar seu próprio escritório de advocacia. Foi Ministra da  Justiça da Noruega entre 1996 e 1997. Seu primeiro livro foi publicado em 1993, e seus trabalhos foram traduzidos para mais de 25 línguas. A autora recebeu vários prêmios, como o Riverton Prize, The Noruegian Booksellers’ Prize e seu livro ‘1222’ foi indicado aos Prêmios Edgar Award, o Shamus Award e o Macavity Award, na categoria de Melhor Romance.  A autora recebeu o prêmio Great Calibre Award of Honor, na Polônia, pelo conjunto de sua obra.  Ela vive em Oslo com a sua família.

Conheça um pouco mais da obra da autora Anne Holt :

A Deusa Cega (Blind Goddess), faz parte da Série “Hanne Wilhelmsen” (a investigadora que permeia todos os livros).

– Série ‘Hanne Wilhelmsen’ –

1-  A Deusa Cega, do original ‘Gudinne Blind’ (Blind Goddess), de 1993;
2-  Bem-aventurados os que têm sede, do original ‘Salige tørster er de som’, de 1994
3- Morte do Demônio, do original ‘Demonens Død’, de  1995;
4-  Boca do Leão, do original ‘Lovens Gap’, em co-autoria com Berit Reiss-Andersen, de 1997
5- Død Coringa – Dead Joker, de 1999
6-  Uten ekko, em co-autoria com Berit Reiss-Andersen, Sem ECHO, de 2000;
7- Sannheten Bortenfor- The Truth Beyond, de 2003;
8-  ‘1222′, em 2007.

 

por ~ M

 

Deixe o seu cometário



- bids2 - ww7