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Leitora Opinião: Sim, eu sou jovem escritor e não, não mereço ser menosprezado

Leitora Opinião: Sim, eu sou jovem escritor e não, não mereço ser menosprezado

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Não é surpresa nenhuma começar um texto dizendo que estamos passando por mudanças. Seja no país, na cabeça de cada cidadão ou no mundo literário. Não é de hoje que o Brasil vem crescendo com seu mercado editorial. Sendo um dos maiores do mundo, parece ignorância citar que exista preconceito quanto aos escritores brasileiros. Acredite, ainda existe.

Um bom livro brasileiro é recomendado no jornal e, ao seu lado, um best- seller da lista do The New York Times é anunciado para lançamento na mesma semana que o nosso companheiro nativo. Qual você compraria?

Deixe-me ampliar a comparação: o best seller é romance de estreia do escritor estrangeiro, como é também de seu companheiro de coluna. Qual você compraria?

Como escritora, não consigo conceber a ideia de continuarmos virando as costas para os nossos livros e escritores. Temos, culturalmente falando, uma tendência viciosa à nos inclinarmos para as coisas de fora, rejeitando o que é nosso patrimônio, o que é nosso.

Livros brasileiros não são ruins, tampouco fracos. Ruim mesmo é o pensamento de pessoas que insistem em valorizar a cultura alheia em detrimento da sua cultura. Olhe em volta do seu quintal!

Quanto tempo demora para um brasileiro receber algum prestígio ou fazer sucesso no exterior? Será que ainda vamos nos deixar levar pelo ciclo vicioso que é respeitar nossos irmãos apenas quando são sucesso em outros países?

E, finalmente, voltamos ao ponto de partida: os jovens escritores.

Se ainda existe preconceito quanto aos escritores conceituados, imaginem quanto aos novos.

Menosprezados, sempre estamos à mercê da torpe ideia de termos que provar que somos bons no que fazemos. E por quê? Idade não é comprovação de competência. Cora Coralina iniciou sua carreira literária com 14 anos e, como seu amigo e admirador, Carlos Drummond de Andrade, só ganhou reconhecimento por suas obras anos depois de publicá-las.

Tendo em vista dois dos maiores poetas e escritores brasileiros citados aqui, sinto o persistente questionamento que nos afronta ao falarmos que somos jovens escritores: o que devemos provar?

Essa anáfora é inconsciente e nos aflige terrivelmente. Começamos a escrever na internet, nos blogs, nas fanfics, nas redes sociais.
São outros tempos e por que não apreciarmos as novas escritas?
O que percebo, quando converso com um jovem escritor, como eu, é que temos em comum o mesmo início na escrita. A aprofundação é o que nos diferencia e é essa a nossa grande “carta na manga”.

Eis o meu desafio: Experimente ler alguns dos mais novos livros publicados pelos novos escritores e verá a magnitude do amplo leque de histórias.

Precisamos, sim, nos livrarmos de velhos hábitos e começarmos a enxergar o novo, o brasileiro, o nativo, o povo, o estrangeiro, em suas verdadeiras esferas. Não que haja algum mal em ler livros que não são nacionais, pelo contrário, ouso dizer aqui que foram eles que nos incentivaram, mas por que não provar do que é nosso?

O problema não são as editoras, porque essas estão investindo nos jovens escritores, o nosso pior desafio é cativar os leitores brasileiros.

Sim, eu sou jovem escritora e não, eu não mereço ser menosprezada!

Por A. Assumpção